7 de setembro

 

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce.
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Três virtudes cristãs estão contidas na poesia, triunfante, típica dos hinos pátrios: o sonho intenso que é lampejo de fé; o facho de luz que nos permite antever um futuro glorioso; e, a imagem do cruzeiro no céu faz descer à terra esperança e amor.

Mas a fé no Brasil está em decréscimo. Os filhos desse solo querem deixar a mãe gentil. Jovens sonham emigrar para encontrar segurança e êxito em outro chão. Os pais, que desde cedo incutiram um segundo idioma, lamentam, mas apoiam a ideia. Em tempos de internet, o consolo da conversa diária a custo baixo faz o mundo parecer pequeno. Mentes brilhantes, força criativa e inovadora vão se perdendo por falta de confiança nos timoneiros da nação.

O amor está pálido como os cidadãos que aguardam atendimento nos hospitais públicos. O amor sangra nas ruas. Talvez, eu seja mais uma das vítimas de bala perdida ou mesmo atropelado por um motorista bêbado. A violência está desumanizando a nação. Cresce a indiferença e a selvageria.

A esperança está em fase terminal, ainda não morreu de teimosia. Muita gente já não acredita nos poderes republicanos e instâncias democráticas, portanto participativas. “Votar, para quê? Fica tudo igual. Votar em quem? Chega lá, se corrompe”. Os três poderes exalam o odor fétido da corrupção. Faz-nos lembrar do profeta Isaías, pois “cheiram como cadáveres insepultos se decompondo a luz do sol.”

“Se em teu formoso céu, risonho e límpido, a imagem do Cruzeiro resplandece...” Quem dera a cruz de Cristo iluminasse o Brasil e fosse para seus filhos prenúncio da ressurreição pátria, do despertar do gigante que ora dorme em berço esplêndido.

Quem dera os jovens acreditassem que é possível sonhar sonhos tupiniquins, que olhassem para o Cruzeiro do Sul e não à estrela do norte. Quem dera o amor pulsasse e fizesse jorrar nas artérias e veias das cidades a gentileza e a solidariedade. Quem dera surgissem e fossem escolhidos líderes que alimentassem a expectativa de justiça em tempos de paz.

Ainda assim, me porei como o profeta que aguarda os juízos pelos pecados de sua nação ímpia. Não deixarei de orar por meu povo, com quem partilho o chão que piso e as estrelas. Não me deixarei desumanizar, mas serei um lampejo do Cristo-homem, do Verbo encarnado. Não desistirei de crer e esperar, até ver “paz no futuro e glória no passado”.

“Se tão-somente você tivesse prestado atenção às minhas ordens, diz o Senhor, o seu redentor, sua paz seria como um rio, sua retidão, como as ondas do mar” (Isaías 48.17,18).

 

Brasil, 7 setembro de 2017
Aliança Cristã Evangélica Brasileira, por seu Conselho Coordenador

 

 

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