Carta Pastoral: “Para um tempo como este!”

Viver num país com eleições amplas para os diferentes cargos públicos e eletivos é sempre uma responsabilidade e um privilégio. Assim, ao nos aproximamos das eleições de 7 de outubro próximo, nós o fazemos com gratidão e senso de cidadania, orando por um país justo, integrado e solidário. Obrigado, Senhor!

As eleições deste ano, como sabemos, acontecem num clima de paixões exacerbadas e de carência de lideranças que possam pacificar o país. Além disto, aprofundam-se crises que estão relacionadas entre si:

  1. Do modelo político, onde a atual classe política não quer mudanças e busca, em sua maioria, a manutenção dos seus benefícios e dos seus interesses por meio da reeleição. Um modelo político viciado e dependente de enormes esquemas que levam à prática da corrupção;
  2. Do modelo econômico que tem gerado alto índice de desemprego, mantido privilégios e cortado recursos nas áreas básicas de saúde, segurança, educação, moradia, para mencionar algumas áreas essenciais para a vida de nossa população;
  3. Do modelo do judiciário que julga, aparentemente, segundo seus próprios interesses ou interesses partidários e concede benefícios de forma seletiva, além de manter os seus próprios privilégios. Essa postura não se coaduna com princípios republicanos e nem respeita a importante divisão dos poderes.

Tem misericórdia de nós, Senhor!

Somos parte de uma sociedade que tem testemunhado o crescimento e a presença de um segmento religioso que se identifica como cristão evangélico. Ele tem se espalhado em milhares de comunidades de fé, nos mais diferentes rincões de nosso país, sobretudo nas periferias das grandes cidades.

Por isso damos graças a Deus. 

Nas últimas décadas tem aumentado o número de evangélicos que têm entrado na arena política, o que não deixa de ser esperado e até desejado. Até aqui, no entanto, a entrada desses “políticos evangélicos” não tem feito significativa diferença na nossa cultura e ética política partidária. Eles não têm, pelo que se percebe, contribuído de maneira efetiva para a solução de crises sócio-políticas e culturais nas relações familiares, na distribuição de renda, na prática dos direitos humanos e na violência urbana e rural. Parece tratar-se de uma expressão política que reproduz as antigas práticas do clientelismo e do patrimonialismo. Por isso, acabam não sendo diferentes da quase totalidade da classe política brasileira. Eles são um pouco mais do mesmo e isto precisa mudar!

Fortalece a nossa fé, Senhor, para orarmos e votarmos por mudanças.

Compreendemos que a vocação cristã incide em duas cidadanias que não se excluem, a humana e a celestial (Fp 1.27 e 3.20), sob o imperativo de buscar-se o Reino de Deus em primeiro lugar (Mt 6.33). Assim que, à luz da nossa terrena cidadania, consideramos os próximos pleitos, para cargos executivos e legislativos, excelentes oportunidades para apontarmos para mudanças que consideramos necessárias na nossa cultura política. Ao nos aproximar destas eleições recomendamos como Aliança Cristã Evangélica Brasileira, que:

1 O voto é seu. Decida por ele. Não deixe ninguém decidir por você.

2 Busque informações verdadeiras sobre o candidato ou candidata. Cuidado com as notícias falsas. Converse com seus pares antes de fazer sua opção de voto. Opte por um candidato que esteja mais perto de você.

3 Respeite as diferenças e garanta liberdade para expressão de ideias e proposições para a construção de uma sociedade mais justa.

4 Cuidado para que os debates não se transformem em embates, e, até, em combates. Violência gera violência.

5 Não vote num candidato que apenas busque o benefício do seu grupo religioso.

6 Cuidado com os candidatos e candidatas que aparecem só em tempo de eleições. E lembre-se de acompanhar seu mandato.

7 Vote por princípios e não porque a maioria escolheu esse candidato ou aquela candidata. Que o seu voto seja fruto de sua consciência e valores cristãos.

8 Não repita o seu voto por costume. Não se furte a buscar renovação.

9 Busque um candidato que se comprometa com a sua comunidade e com o bem do outro e da família, especialmente dos mais necessitados.

Ore ao Senhor para que Ele lhe mostre o que é importante para a sua vizinhança, a sua comunidade e o seu país e não deixe ninguém lhe tirar o direito de decidir pelo seu voto, em oração e diante de Deus.

Brasília, setembro de 2018

Aliança Cristã Evangélica Brasileira
Por seu Conselho Coordenador

 

 

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