É verdade! O Senhor ressuscitou! E vocês são testemunhas dessas coisas!

Lembro-me quando aquele pequeno caixão funerário chegou trazido pelas mãos do meu pai. Era uma irmãzinha, que não sobreviveu aos primeiros dias de vida. Sem vida, passou um tempo rápido em casa, para que nos despedíssemos e se foi, para ser sepultada. Eu devia ter uns 6 ou 7 anos. Foi meu primeiro contato com a realidade da morte e a dor que ela gera.

Lembro-me da interrupção de uma viagem em família e a volta às pressas para o sepultamento do meu avô materno, com quem tinha maior intimidade dentre os avós. Lembro-me da visita que fiz à mãe de um bom amigo, que morrera semanas antes em um acidente. Lembro-me de como chorou novamente a dor da partida de seu filho tão jovem, em nosso encontro. Lembro-me da viagem às pressas para Olinda, para o sepultamento do amigo Bispo Robson Cavalcanti, assassinado de forma tão trágica, junto com sua esposa, dentro da sua própria casa, por um tresloucado. Lembro-me da consternação geral das centenas de pessoas presentes e do choro das mulheres amigas da Miriam, ante a despedida inesperada e precoce.

A morte, geralmente inesperada, sempre fora de hora para os que ficam, marca essa separação de pessoas queridas, as quais ainda queríamos que estivessem conosco. Fomos criados à imagem e semelhança do Eterno. Viemos à vida pelo seu sopro de vida. Nosso DNA é de vida, de eternidade, de matéria vivificada pelo Espírito. A morte é negação à vida, manifestação de um limite imposto, que nos avilta e nos remete à condição da separação trazida pela queda de nossos primeiros pais.

O relato evangélico sobre aqueles seguidores de Jesus, a caminho de sua casa, na Aldeia de Emaús, remete aos sentimentos de pesar face à morte. Percorrendo a pé, no fim da tarde, aqueles 11 ou 12 quilômetros de estrada, eles discorriam sobre a morte do Mestre querido. “Ele era um profeta, poderoso em palavras e em obras diante de Deus e de todo o povo. Os chefes dos sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram; e nós esperávamos que era ele que ia trazer a redenção a Israel.” (Lc. 24.19-21) Por isso estavam com “os rostos entristecidos”.

Ao compartilhar de sua tristeza com aquele aparente desconhecido que se pusera a caminhar com eles, sentiam seus corações arder. A tristeza ia dando lugar à alegria, o abatimento ao conforto, a notícia de morte à presença do ressuscitado. E quando, finalmente, Jesus manifesta sua presença viva entre eles, no partir o pão e dar graças, eles “se levantaram e voltaram imediatamente para Jerusalém”. Não importava todo desgaste daqueles dias, nem o cansaço da caminhada no fim daquele dia, da noite que ia chegando, eles precisavam levar a notícia: “É verdade! O Senhor ressuscitou!”

E reunidos com a comunidade de fé, recebem a visita do ressuscitado, que traz significado sobre todos os acontecimentos que testemunharam desde a sexta-feira até a manhã de domingo. “Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês são testemunhas destas coisas. Eu lhes envio a promessa de meu Pai; (...)” (Lc. 24.46-49)

Nossa fé não é vã. Não é vã nossa pregação e nem nossa esperança. Sigamos juntos!

Brasil, 30 de março de 2018
Aliança Cristã Evangélica Brasileira,
por seu Conselho Gestor

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