Carta Pastoral: Treze de Maio e os Preconceitos Raciais, o Escravismo e a Reconciliação

 

preconceito

 

Em 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel sancionou lei aprovada pela Câmara Geral e pelo Senado, que veio a ser conhecida como Lei Áurea, cujo artigo 1º dizia expressamente: “É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil”.

Treze de maio é uma data a ser celebrada? Como temos lidado e lidamos ainda hoje com o preconceito racial proveniente dessa mácula na história do Brasil? Quais as consequências e repercussões do escravismo de pessoas que praticamos por séculos?

A Aliança Evangélica apresenta dois textos e um episódios histórico, que não é conhecido de muitos, para contribuir com a edificação e maturidade dos evangélicos no Brasil, a propósito das repercussões sociais e econômicas que a prática da escravidão deixou em nossa formação como povo.

De Ariovaldo Ramos, membro do Conselho de Referência da Aliança Evangélica, o primeiro texto “Treze de Maio e o Preconceito Racial Não Resolvido”, trata das origens e da atualidade do preconceito racial. “Deveria ser uma data festiva, uma vez que comemora a libertação dos escravos. Entretanto, isso não é verdade, houve alforria mas não libertação. Entenda-se, por libertação, a devolução não só da liberdade, mas das condições necessárias para emancipação humana. E isso, de fato, não aconteceu.”LEIA AQUI.

O texto do Pastor José Carlos da Silva, do Conselho Coordenador da Aliança, “Treze de Maio – Racismo e Escravismo”, toca na atualidade dos preconceitos raciais e nas práticas escravistas de desrespeito ao ser humano e à violação da dignidade do outro. “Escravismo e racismo são formas malignas de reduzir seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus, roubando-lhes a dignidade e o amor próprio.” LEIA AQUI.

Também lembramos um evento ocorrido durante o Congresso Lausanne 3, na Cidade do Cabo, África do Sul. Relatamos este episódio porque está relacionado à história da escravidão no Brasil. Também está relacionado à origem geográfica dos negros trazidos ao Brasil como escravos, o continente africano. Geralmente falamos deste assunto deste a ótica do Brasil. Mas como era para as esposas, para os filhos e filhas, para as mães e pais, terem pessoas subtraídas e levadas como escravos para o outro lado do Atlântico?

O grupo de brasileiros, participantes do 3º Congresso Lausanne sobre Evangelização Mundial, realizado em Cape Town, África do Sul, de 17 a 24 de outubro de 2010, enviou uma Carta a todos os participantes do Continente Africano, reunidos no mesmo Congresso, no dia 24/10/2010. Uma comitiva de brasileiros foi até onde o grupo africano estava reunido. A entrega e leitura da carta causou grande comoção entre os irmãos africanos. Uma comitiva desses irmãos veio até onde os brasileiros estavam reunidos e falaram em nome dos africanos. Os brasileiros também ficaram impactados com as palavras trazidas por aqueles irmãos e irmãs. Especialmente de uma irmã, que falou da dor das mulheres africanas que perderam seus filhos, seus maridos e os pais de seus filhos, que eram traficados para o Brasil.
O encontro terminou com uma palavra de oração em meio a lágrimas de emoção. A carta original foi lida e entregue em Inglês, mas publicamos em nosso site uma tradução em PortuguêsLEIA AQUI.

Brasil, 13 de maio de 2015
Aliança Cristã Evangélica Brasileira

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