Bíblia: Fonte de Renovação, Santidade e Arrependimento

Hoje convivemos com constantes escândalos dos chamados “filhos de Deus”. Esses são plenamente conhecidos pela divulgação dos meios de comunicação. Essas situações podem ser fruto de um momento de imprudência, à semelhança do Rei Davi quando adulterou com Bate-seba. Ou resultado de ações de alguém que parece temer a Deus, mas, nas palavras de Jesus, é um joio, filho do maligno (Mt 13.38). Ou simplesmente resultado de pessoas sem transformação, ainda sem Deus, enquanto pensam que o conhecem. São pessoas que não sabem a diferença do puro e do impuro aos olhos de Deus, pois não assimilaram a forma de pensar das Escrituras. Será que tem alguma relação entre escândalo e falta de processo de santidade à luz das Escrituras? Jesus teve inúmeros conflitos com os fariseus, saduceus e escribas, entre os quais vários foram enviados de Jerusalém para debates com Ele. Os conflitos, no geral, eram de conceitos. Jesus e seus opositores divergiam na forma de pensar sobre vários assuntos, por exemplo: o reino de Deus, o Messias, oração, jejum, guarda do sábado, quem é o maior, o lugar dos não judeus no plano de Deus, o que é impureza, santidade... Os conceitos que sustentamos foram adquiridos ao longo da vida na nossa cultura. Nós evangélicos, sofremos simultaneamente a influência da cultura e das nossas igrejas. Mas, nem sempre o que pensamos que nos faz agir como o fazemos, está na relação direta dos conceitos de Deus. No nosso caso, somos exortados a viver um processo contínuo de transformação (de conceitos) pela renovação da nossa mente (entendimento) que vem pelo meditar das Escrituras. Esse processo nos permitirá conhecer a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para todas as áreas de nossa vida (Rm 12.2). Isso é importante, pois nossas atitudes e ações são resultados de nossos conceitos. Precisamos aprender a pensar à luz das Escrituras. Os fariseus e escribas relacionavam impureza e pureza com obedecer às tradições dos anciãos – rabinos (Mt 15.1). Nesse contexto, associavam lavar as mãos (higiene) com pureza moral, assim como associavam a dieta alimentar de Moisés, não com saúde somente, mas também com pureza moral, ou santidade diante de Deus. Dessa forma, ao procurarem seguir a tradição dos anciãos, pensavam que também serviam a Deus e eram santos aos seus olhos. Ao pensar, portanto, que serviam a Deus, tinham segurança interior que o faziam, mas, contudo, não entendiam nem pureza e nem impureza aos olhos de Deus. O problema estava na fonte de conceitos, a tradição dos anciãos. Jesus, por outro lado, foi direto à raiz do problema. Nesse debate, que envolvia saber o que era puro e impuro, segundo Jesus, primeiro, define-se a fonte de autoridade por meio da qual nossos conceitos se formam. E, para Jesus é simples: as Escrituras são a nossa regra de fé e prática. Por isso, ao responder aos seus opositores, que insinuavam que seus discípulos eram impuros ao ignorar as orientações dos anciãos, Jesus disse: “E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?” (Mt 15.3). Em outras palavras, por que ignoram a autoridade das Escrituras no definir o que é puro e impuro? Lavar as mãos é higiênico, mas não consiste em santidade moral. Nesse contexto acima, os opositores de Jesus pensavam que serviam a Deus, porém, desobedeciam os seus mandamentos, entre os quais não honravam os pais (Mt 15.4). Eram exploradores dos pobres e sem misericórdia (Mt 23.14, 23). Serviam a Deus somente com os lábios, e não com ações de obediência. Então, eram hipócritas (Mt 15.7-8). Como podiam entender de santidade, de pureza e impureza, sem as Escrituras de Deus? Como saberiam de impureza se não sabiam que essa vem dos nossos corações pecadores (Rm 3.23)? Jesus disse: “O que entra pela boca não torna o homem impuro, mas o que sai de sua boca, isto o torna impuro... Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem impuro. Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias”. (Mt 15.11, 18-19). A fonte de nossa impureza é a nossa pecaminosidade. A fonte da santidade está nas Escrituras. O santo na Bíblia é aquele que reconhece que não o é, que precisa de perdão e de salvação (Rm 3.21-25). E, uma vez perdoado, é declarado justo diante de Deus. Nessa condição, pode agora ser ajudado pelo Espírito para vir a ser santo a fim de obedecer os mandamentos de Deus (Rm 8.13)
Nos dias que nos deparamos com tantos escândalos associados à palavra “evangélico”, como Aliança Evangélica, precisamos nos perguntar: Qual o papel das Escrituras na formação dos nossos conceitos? Sem renovação de nossa forma de pensar pelas Escrituras e sem tê-las como fonte de autoridade, talvez, pensemos que servimos a Deus, que somos santos, quando, na verdade, podemos estar bem longe dEle. Jesus disse: “E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?” (Mt 15.3). Como não haver escândalos se os valores que nos moldam, os conceitos que sustentamos, estão bem longe das Escrituras Sagradas? Por isso, como Aliança Evangélica, lamentamos: - Que em inúmeras igrejas locais, o discipulado à luz das Escrituras seja tão fraco, quer em pequenos grupos, ou individualmente, ou mesmo no púlpito, quando o ensino da Palavra, viva, real e contextualizada deu lugar a um evangelho simplório de mera solução de problemas. - Lamentamos que esse evangelho simplório, que não molda nosso caráter à luz das Escrituras, tem propiciado o surgimento de líderes políticos e eclesiásticos, que se envolvem em roubos, corrupção e injustiças. Que as fortes palavras de Jesus contra os fariseus e escribas não venham ser verdade em suas vidas: “Deixai-os; são cegos condutores de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” (Mt 15.14).

- Que possamos nos arrepender como Igreja de Jesus de ter nos furtado de fazer discípulos como comissionados por Ele – ensinando-os a guardar tudo que vos tenho ordenado – (Mt 28.20). E, por isso, o evangelho que vivemos e pregamos não é transformador. Seja Deus misericordioso para conosco e nos conceda a Sua graça! Silas Tostes
Presidente do Conselho Gestor da Aliança Evangélica

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